Dreadlocks

Publicado: 17/10/2011 em Penteados
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O dreadlock  ou cabelo enrolado, adota a forma de pavio,
com argila em tom ocre ou com cera de abelha formando grossos
cachos. Essa estética de longas tranças enroladas conhecidas
como “cabelo  rastafari”, “cabelo  rasta”,  dreadlocks,  locks
ou simplesmente  dreads, se constituiu em um signo cultural
identitário para os seguidores do Rastafarianismo, mas também,
passou por um processo de cristalização como estereótipo. Assim,
como boa parte dos artistas do reggae eram também rastas, a
música também herdou os apelidos depreciativos.
O Rastafarianismo nasceu como um fenômeno cultural
contestário das tradições históricas e privilégios conferidos a um
restrito grupo social dominante, oriundo da Europa Ocidental. Foi
a resposta afirmativa dos valores africanos contra a higienização
cultural imposta aos negros da África e aos seus descendentes nas
Américas. As políticas de eugênia contra negros e pobres, e as
proclamadas limpezas culturais, produziram outros resultados.
Vejamos o caso do Brasil, em que a idéia de pureza cultural
esteve intimamente associada à pureza racial, interpretação que
surgiu em meados do século XIX, quando o país recebeu vários
viajantes estrangeiros que tentaram nos qualificar como uma
nação de degenerados por causa da mistura de raças. Thomas
Buckle (1821-1862) acrescentou o determinismo climático,
e a composição da vegetação, na sua condenação do homem
brasileiro. Portanto, nesse período foram estabelecidas as
correlações rígidas mais influentes entre patrimônio genético,
aptidões intelectuais e inclinações morais. Assim como Buckle,
L. Agassiz e o conde Arthur de Gobineau também estiveram aqui
e foram responsáveis por relatar as infelizes implicações das
teorias raciais européias quando aplicadas  à conjuntura local.
De modo que, a representação, vinculada à raça, foi um modelo
disseminado para determinar uma idéia de atraso cultural no
Brasil e nas Américas, em função da composição populacional
afrodescendente.
Tais idéias de exclusão cultural, social e racial, se
reatualizam hoje relacionadas ao cabelo  dreadlocks, também
alvo dessa tal pureza étnica que prevê o padrão ocidental de fios
lisos, escovados e loiros como ideal; ainda, pejorativamente,
distingue-se o cabelo “bom” do cabelo “ruim”
A valorização da cultura africana, trazida em
fragmentos durante a travessia do Atlântico e reinventada pelos
afrodescendentes, constituiu um importante legado para a
população afro-jamaicana. Desse modo, se tornou possível que,
os negros caribenhos, neste caso jamaicanos, recriaram costumes
e práticas dos ancestrais da África Oriental em uma experiência
pós-colonial.
 Na opinião preconceituosa dos grupos dominantes,
explicitada nos anos 1960, os  dreadlocks significavam sujeira,
num estilo medusa e, em contrapartida, aquela textura capilar
passou a ser um divisor de águas em relação  à cultura centrada
nos moldes da Europa.
Em contraponto com o etnocentrismo de Ocidente, este artigo
visa compreender as semelhanças entre os grossos pavios dos
dreadlocks com a juba do leão, animal típico das savanas africanas
e utilizado frequentemente nas culturas afro como símbolo
de valentia. Ademais pretende estudar a possível conotação
religiosa e sagrada dos cabelos. Estes enfeites são expressão de
respeito e de veneração  com os povos do continente africano,
localizados nos territórios selecionados como terra dos ancestrais
Rastafaris.
Por isso, pretende-se identificar, as narrativas simbólicas
do corpo, neste caso no  dreadlock.  Assim, este será analisado
como o guardião da memória, como um elemento sagrado de
alteridade e identidade na Jamaica.
Portanto, a etnografia dos dreads, investigada por meio
das  performances regueiras, é uma ferramenta historiográfica
para desconstruir estereótipos e preconceitos sociais, culturais
e educacionais estabelecidos por séculos.  Associados aos
dreadlocks estão elementos como as mãos colocadas formando
as sete pontas da estrela de Davi, símbolo do Rastafarianismo;
as letras musicais com as recorrentes palavras Jah, Rastafari I,
Majestic; as cores da bandeira etíope; o símbolo do movimento
black power (braço direito erguido com a mão cerrada); as
boinas, bonés, torços, cones, o palco de shows, muitas vezes
com a imagem de Hailé Selassié; o leão (Panthera leo) coroado
e apoiado por um cetro real.  Os dados confrontados à luz da
história e da antropologia identificam a black music como uma
performance que simboliza o provável re-encontro entre as
populações constituídas historicamente pela diáspora com a
África, os dois lados do Atlântico. Sem dúvida, a aparição dos
Rastafaris trouxe elementos de mudança social.
Saiba mais em: http://redalyc.uaemex.mx/pdf/1591/159113069007.pdf

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